sábado, 10 de janeiro de 2009

Quando finda o amor

Vivencia-se o vazio da morte.
Sente-se a morte de alguém que ainda vive.
Porque chega ao fim sem hora marcada.
Sem nada acordado.
Um alguém que continua a existir, mas não mais para você.
Ou talvez você não mais para ele.
Quando vem o fim, não vem simultaneamente para os dois envolvidos.
Se assim fosse, haveria menos surpresa e dor.
Quando finda, não há mais o amanhã compartilhado.
Só o ontem.
Nem há mais muito a se fazer.
Só lamentos pelos sonhos perdidos e pelas emoções vividas.
Não se cobra de alguém o cumprimento da obrigação de amar.
Muito menos as promessas feitas e não cumpridas.
Que bom seria se o amor fosse um contrato.
Não, infelizmente não o é.
Não cabe reparação.
O amor dura até quando os dois consentem.
Se um não quer mais, ao outro cabe apenas sentir a dor do nunca mais.
E nunca mais é expressão forte.
Se alguém vai embora, sente-se saudade.
Mesmo que nunca mais se vejam.
Mas se alguém morre, sente-se a impotência diante do nunca mais.
Por isso o homem precisou acreditar na existência de um amanhã.
Um consolo.
Uma continuação para o fim.
Uma vida depois dessa.

Um comentário:

  1. Não conhecia esse lado seu minha menina. Parabèns. Vcê é o máximo. adorei Bjos. Nisa

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